quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Arquivos Secretos – Parte II – Os documentos secretos franceses sobre UFOs

A França se tornou o primeiro país a abrir seus arquivos sobre UFOs em 2007, quando o Centro Nacional Francês de Estudos Espaciais revelou um website documentando mais de 1.600 avistamentos que abrangem um período de cinco décadas. Os arquivos on-line passaram a ser atualizados à medida que novos casos surgiam. Tais arquivos incluem catálogos que relatam casos minuciosamente detalhados  de OVNIs que vão desde aqueles facilmente descartáveis até aqueles que continuam a causar perplexidade, mesmo nos mais céticos dentre os cientistas. Também foram publicadas fotos de possíveis UFOs, relatos de testemunhas oculares, jornais de campo e documentos inter-governamentais sobre os avistamentos. Dentro de três horas após a postagem dos primeiros casos, o servidor web da agência espacial francesa caiu por causa da enchente de internautas que procuraram os primeiros vislumbres dos arquivos oficiais do governo sobre UFO.

(Fonte: listverse)


"É um primeiro mundo. Os dados que nós estamos liberando não demonstra a presença de seres extraterrestres, mas também não demonstra a impossibilidade da presença de tal", disse Jacques Patenet, um engenheiro aeronáutico que lidera o “Grupo para o Estudo de Fenômenos Aeroespaciais Não-Identificados”.
Mais conhecidos como OVNIs, os UFOs sempre geraram intenso interesse junto às teorias de conspiração sobre inúmeros segredos governamentais acerca dos possíveis contatos com seres de outros planetas e do acobertamento militar da existência de tais seres, devido ao alarme que poderia causar à população diante de assunto tão delicado.

(Fonte: giddybloom)


"Casos como o de uma senhora que relatou ter visto um objeto que parecia um rôlo de papel higiênico voando claramente não vale a pena investigar”, disse Patenet, mas muitos outros avistamentos envolvendo múltiplas testemunhas - e pelo menos um caso envolvendo milhares de pessoas em toda a França - e as provas, tais como marcas de queimaduras e rastreamentos de radares mostrando padrões de vôo ou acelerações que desafiam as leis da física são levados muito a sério.
Uma falange de guardas de segurança formaram uma barreira na frente da sede da agência espacial (CNES), onde o anúncio do website foi feito. “Dos 1.600 casos registrados desde 1954, quase 25% são classificados como "tipo D", o que significa que apesar dos dados bons ou muito bons e testemunhas credíveis, somos confrontados com algo que não podemos explicar", disse Patenet.

(Fonte: hyper)


Em 08 de janeiro de 1981, nos arredores da cidade de Trans-en-Provence, no sul da França, por exemplo, um homem que trabalha em um campo relatou ter ouvido um som estranho de assobio e avistou logo em seguida um objeto voador em forma de pires com cerca de 2,5 metros (oito pés) de diâmetro sobrevoando o campo a cerca de 50 metros de distância. Quando o disco decolou o homem contou à polícia que, quase imediatamente, a proximidade com o objeto lhe deixou marcas de queimaduras. Os investigadores tiraram fotos e, em seguida, as amostras coletadas foram analisadas, porém até hoje nenhuma explicação satisfatória foi feita.

(Fonte: colinandrews)


Um dos casos mais interessantes incluídos nos arquivos aconteceu em 29 de agosto de 1967. Um menino de 13 anos e sua irmã de 9 anos de idade foram tomar conta de vacas de sua família perto da aldeia de Cussac quando o menino viu "quatro pequenos seres pretos" com cerca de 47 centímetros de altura. Pensando que eram outros jovens, ele gritou para a irmã, "Oh, existem crianças negras!" Mas enquanto eles observavam, os quatro seres começaram a se agitar e subiram para o ar, entrando no topo do que parecia ser uma nave espacial redonda, sobre 15 pés de diâmetro, que pairava sobre o campo. No momento em que o OVNI começou a subir, um dos passageiros surgiu a partir do topo e voltou ao chão para agarrar alguma coisa, então voou de volta para a esfera. A esfera "foi se tornando cada vez mais brilhante" antes de desaparecer com um som assobiado e deixou "um forte odor de enxofre após a partida". As crianças correram para casa em lágrimas e seu pai chamou a polícia local que “observou o odor de enxofre e a grama seca no lugar onde as crianças relataram que a esfera decolou".

(Fonte: dw-world)


Em outro caso curioso, aproximadamente 1.000 testemunhas disseram ter visto luzes piscando no céu em 05 de novembro de 1990, só que desta vez tinham simplesmente visto um fragmento de foguete caindo de volta à atmosfera terrestre.
As respostas de Patenet às perguntas sobre a evidência da vida fora da Terra inflamavam ainda mais as suspeitas daqueles que estavam convencidos de que o governo estava segurando algo: "Nós não temos a menor prova de que extraterrestres estejam por trás dos fenômenos inexplicáveis". Mas então acrescentou: "Também não temos a menor prova de que eles não estejam."
Rascunho sobre descrição de OVNI (Fonte: mirror.co)

(Fonte: spacescan)


Nos campos do CNES surgem entre 50 e 100 relatórios de OVNIs todo ano, geralmente escritos pela polícia. “Destes, 10% são objetos de investigações ‘in loco’”, disse Patenet. Outros países coletam dados mais ou menos sistemáticos sobre objetos voadores não identificados, notadamente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, onde a informação pode ser requisitada, dependendo do caso e de acordo com a “Lei de Liberdade de Informação”. "Mas decidimos seguir por outro caminho e tornar disponível ao público todas as informações sobre este tema”, afirma Patenet. O objetivo era tornar mais fácil para os cientistas e outros usuários da informação o acesso a dados de pesquisa sobre UFOs.
O site em si - que já caiu diversas vezes devido ao grande número de acessos, o que torna o tráfego pesado - é extremamente bem organizado e completo, mesmo incluindo cópias digitalizadas de relatórios policiais.

OVNI deixando rastros de luz (Fonte: msnbc)


O governo francês foi o primeiro a lançar este tipo de informação ao público. Posteriormente, em 2008, a Grã-Bretanha também liberou seus arquivos para consulta do público em geral. Você pode ir no site francês aqui e no site do Reino Unido podem ser encontrados aqui.



            Arquivos Secretos – Parte I – O estudo dos gêmeos idênticos separados


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Contos Mijinianos #2 - Trem das Paisagens

...foi então que vi tudo se desmanchando no ar como poeira se dispersando diante de meus olhos estarrecidos, então acordei...

(Fonte: flog)


Ao abrir meus olhos vejo à minha frente uma poltrona, e à minha esquerda uma paisagem bucólica e serena passando pela janela. Oh sim, me dei conta que ainda estou de viagem. Minha avó me aguarda ansiosamente na próxima estação e o meu trem deve chegar lá por volta das 17h.
Estou bastante cansado e já perdi a noção de quanto tempo estou sentado aqui a observar a paisagem que sempre passa em direção contrária ao sentido do trem, como devia ser de fato. Vejo campos, montes, árvores, gado... Tudo passa por mim e eu só tenho oportunidade de ver cada minudência do exterior do trem num lance de vista apenas. É como minha vida, pois tudo o que fiz só tive oportunidade de desdobrar uma única vez, sejam erros ou acertos, não importa, tudo ficou pra trás e o que me resta é o presente que vivo. Porém o próprio presente vira passado num piscar de olhos, então o que me resta é viver dos fantasmas do passado, que são como uma paisagem que se movimenta no mesmo sentido do trem que me carrega. Assim como o rio que vejo agora, onde a correnteza cursa no sentido da estação que almejo chegar, apesar de ela passar pela janela. Desta forma, observo sempre o deslocamento das mesmas águas. Entretanto, passei a perceber que, na verdade, o rio acompanha o rumo das correntezas, como se o trem estivesse viajando a ré. Quando o rio se encerra no horizonte posso mesmo confirmar a minha teoria, pois vejo as montanhas passando pela janela na direção oposta do que seria lógico. Assim a paisagem parece acompanhar o ritmo do trem, como se este estivesse fazendo a viagem ao inverso e tudo o que aprecio agora pela janela parece me escoltar nesta viagem.
Este sentimento estranho que sinto por vivenciar algo incomum me trás a ingenuidade e a curiosidade da minha infância e volto a reviver aquilo que jamais pudera ter sonhado readquirir em minha vida: reviver o passado novamente. Este, tão incerto quanto às nuvens que ameaçam precipitar sobre a terra.
Fito as nuvens pesadas no céu, ávido de esquadrinhar a maneira como a chuva há de se exibir no meu universo particular. Ela, então passa a cair do céu, como devia ser e eu espreito com sublime interesse o seu percurso sempre de cima para baixo. O mais curioso é que os campos sugerem sempre a secura de um mês ensolarado, como se ignorasse a chuva que cai sobre si. Porque de fato, as coisas começam a ficar coerentes dentro da minha incoerente visão da paisagem que o exterior me brinda. Sim, os campos permanecem intactos porque a chuva precipita ao inverso, fazendo-me acreditar que ela implora para retornar ao céu. O frio que vem de fora não é mais lânguido que o frio que sofre a minha espinha na intensidade de uma clausura em um elevador desgovernado subindo em alta velocidade. Essa pressão faz com que o meu corpo seja comprimido contra a poltrona. Ora, mas o que há de acontecer com esse trem, que passa a acompanhar o ritmo da chuva às avessas? Tudo o que via antes sumiu da minha vista e tudo o que posso observar agora é o céu nebuloso e acinzentado pulsando em fachos de luzes brancas que passam a invocar uma grande tempestade.

(Fonte: flog)


Aqui dentro do trem há uma grande agitação. As bagagens estão reviradas por toda a parte e pessoas passam a correr sem sentido, se debatendo com grande furor. Apesar de todo o tumulto, eu prefiro tentar me manter colado à poltrona a observar pela janela o destino dessa viagem. As nuvens aparecem cada vez mais carregadas à medida que a chuva retorna para o céu, desafiando todas as leis da natureza.
Num determinado momento, a chuva resolve aprontar mais uma travessura contra a gente e passa a descarregar as nuvens com intensa ira, formando então um imenso temporal. Nada se vê mais pela janela além de água se chocando no trem como uma manada de búfalos! E como já era de se esperar, o trem passa a seguir o ritmo da natureza e se precipita junto com o temporal. Todos os passageiros são lançados ao teto de forma feroz, inclusive eu, que tentava manter a calma, sentado na minha poltrona a observar pela janela o cruel jogo supostamente protagonizado pela natureza. Lembrei da minha avó que me esperava na próxima estação, muito provavelmente trazendo uma barra de chocolate, como sempre fazia quando eu a visitava. Talvez essas sejam apenas lembranças que ficaram para trás, assim como tudo o que passava pela janela e que podia experimentar contemplar apenas uma única vez nessa viagem.
E após alguns segundos, sentimos um grande impacto, como se o trem tivesse atingido o rígido solo, e fomos todos lançados de forma violenta contra o chão. Tudo aconteceu em milésimos de segundos. Minha cabeça rachou no braço de uma poltrona e a última coisa que pude vislumbrar antes de perder a consciência foi tudo se desmanchando no ar como poeira se dispersando diante de meus olhos estarrecidos...
Então acordei.
Ao abrir meus olhos, meio bêbado de sono ouço alguém falando: “17 horas na estação”. Minha primeira reação foi me prostrar sobre a janela e olhar a paisagem, que de traquinice passou a brincar com os meus nervos irrequietos. Mas desta vez tudo o que havia diante dos meus olhos era uma paisagem estática, como um quadro na parede, e na minha mão uma barra de chocolate pela metade.



Contos Mijinianos #1 - O Grito


Contos Mijinianos #3 - A Chuva


Contos mijinianos #4 - Pombos e anões


Contos Mijinianos #5 - Hotel Paranóia


Contos Mijinianos #6 - O barco

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Arquivos Secretos – Parte I – O estudo dos gêmeos idênticos separados

Viola Bernard foi uma renomada psicóloga nova-iorquina que conduziu em 1963 um controverso estudo sobre gêmeos e trigêmeos separados no nascimento. Para que isso fosse possível ela, acompanhada de um colega psiquiatra, o Dr. Peter Neubauer,  conseguiu persuadir a agência de adoção Louise Wise Services a enviar gêmeos para casas diferentes, sem dizer aos pais adotivos que os respectivos filhos eram gêmeos e, durante o decorrer do desenvolvimento dessas crianças, os pesquisadores secretamente seguiam seus estudos. Ela acreditava que os gêmeos idênticos forjariam melhores identidades individuais se estivessem separados. depois de muitos pedidos, ele concordou em se encontrar com eles. O médico não demonstrou nenhum remorso e não ofereceu nenhuma desculpa.

(Fonte: sempretops)


Quando as famílias adotaram as crianças, já foram informadas que seu filho fazia parte de um estudo de crianças em curso, entretanto, omitiram o elemento-chave do estudo. As famílias adotivas iriam separadamente ao centro uma vez por mês, durante 12 anos, para os testes de QI e de análise de discurso. Os pesquisadores também poderiam visitar seus lares e filmar as crianças brincando. No momento em que os gêmeos envolvidos nesse estudo começaram a investigar a adoção, Bernard já tinha morrido, mas os gêmeos conseguiram localizar na Universidade de Nova York o psiquiatra Neubauer, que também esteve envolvido no estudo desse experimento sobre os gêmeos. Depois de muitos pedidos, ele concordou em se encontrar com eles, porém, o médico não demonstrou nenhum remorso e não ofereceu nenhuma desculpa.


Viola Bernard (Fonte: apsa)

Tal estudo, contudo, nunca foi concluído definitivamente. A prática de separar gêmeos no nascimento em Nova York terminou em 1980, quando o Estado começou a exigir que as agências de adoção de mantivessem os irmãos juntos. Tal fato ocorreu justamente um ano após encerrarem os estudos por parte de Bernard. Neubauer, posteriormente, reuniu todas as informações sobre os experimentos (cerca de 3 caixas de documentos), selou e trancou tudo na Biblioteca da Universidade de Yale até 2066, porque imaginava que até lá a maioria dos participantes da experiência provavelmente estaria morta.. Ele percebeu que a opinião pública seria tão contra a pesquisa que ele decidiu não publicá-la. Mais tarde, esforços para que a Universidade de Yale liberasse os registros para alguns dos irmãos gêmeos envolvidos na pesquisa falharam e o conteúdo dessa documentação permaneceu em sigilo.


Elyse Schein e Paula Bernstein em vários momentos de suas vidas (Fonte: weirdscaryandusualstuff)

O estudo Neubauer diferia de todos os outros estudos de gêmeos em que estes eram acompanhados desde a infância, mas a maior surpresa viria a partir da pesquisa Bernard que tinha concluído que os gêmeos criados separados não são mais diferentes do que aqueles criados juntos. Isto sugere que as diferenças da personalidade das crianças não são forjadas por suas famílias, mas por outros fatores mais sutis.

Elyse Schein e Paula Bernstein quando crianças (Fonte: sott)

Em 2007, as gêmeas Elyse Schein e Paula Bernstein publicaram o livro Identical Strangers: A Memoir of Twins Separated and Reunited, publicado pela Random House, contando suas histórias de vida. Elas foram dadas por sua mãe mentalmente doente e separadas na infância, em parte, para participar do estudo dos gêmeos idênticos. Schein e Bernstein foram adotadas por famílias distintas e não foram informadas de que eram gêmeas. Mais tarde elas vieram a se encontrar pela primeira vez em 2004, na idade de 35 anos, a mesma época em que começaram a escrever seu livro. Das 13 crianças envolvidas no estudo, divididas em cinco grupos de gêmeos e um de trigêmeos, tre pares de gêmeos e o par de trigêmeos descobriram um ao outro. Os demais podem ainda não saber hoje que tem um gêmeo idêntico. Já Neubauer, veio a falecer em 15 de fevereiro de 2008, aos 94 anos de idade.
Elyse Schein e Paula Bernstein lançaram um livro sobre a experiência de terem sido separadas desde o nascimento (Fonte: cbc.ca)


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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Contos Mijinianos #1 - O Grito


Quinze horas no meu relógio! Devo apressar-me para chegar até o prédio onde trabalho. Porém, como sempre, sem desembaraço, pois o chão que caminho é de vidro e não pode quebrar sob mim, visto que cairia eu num precipício sem limite.

(Fonte: fotolog)


Vivo diante desse martírio já que não suporto altura e me sinto sempre atraído pelo chão como quem está prestes a desmaiar, dominado por vertigens intensas. Dizem que os medos que carregamos conosco sempre procedem de algum trauma de infância, mas não lembro eu de algum momento decorrido que justifique meu pavor de altura.
E por mais que eu não quisesse me locomover diariamente para evitar o meu tormento, sou obrigado a levantar todos os dias da minha cama e pisar num chão de vidro. Escovo os dentes, tomo banho, me arrumo, saio de casa e percorro uma distância incomensurável até o prédio onde eu trabalho que é todo feito de vidro, assim como os outros prédios da cidade. Caminho sempre olhando para o alto e vez ou outra me vejo tropeçando num meio fio ou em uma saliência qualquer, e meu coração sempre dispara. Às vezes imagino que vou infartar qualquer dia desses, mas se meu coração já suportou a pressão de mais de três décadas vividas, porque iria vacilar agora?
Trabalho no 13º andar. Dizem que o número 13 dá azar, mas sou eu incrédulo demais para dar importância à tamanha tolice. Porém, ao mesmo tempo, me sinto um azarado, pois queria eu trabalhar no primeiro andar, ao invés do décimo terceiro. Lá do meu escritório daria para ver todos os demais dos andares inferiores, entretanto, há uma conduta de ética, onde ninguém pode olhar o que fazem os funcionários que trabalham nos andares abaixo e nos acima.
Curiosamente, já faz mais de oito anos que trabalho aqui e nunca vi ninguém olhando para cima ou para baixo. As pessoas sempre andam olhando para frente, às vezes de uma maneira tão mecânica que nem parecem que estão vivas! Parecem meros robôs programados para seguir determinadas normas de conduta e fazer tudo sempre do mesmo jeito. E parece tudo tão perfeito que me sinto incomodado e predisposto a ser antiético pelo menos uma vez na vida. Mas se fizesse eu tal descomedimento o que haveria de acontecer? Nenhum homem até hoje se atreveu a quebrar as leis regidas pelos nossos superiores, pelo menos até onde eu saiba, e por isso não faço ideia de quê tipo de punição eu experimentaria se me atrevesse a desobedecer, pois a lei não expõe tais conseqüências.
           Chegando ao meu escritório, enquanto procuro por algo que muito me interessa, percebo certa movimentação no andar abaixo. Seria algum dos seguranças? Pois nenhum dos funcionários trabalha aqui em dia de feriado nacional, apenas os seguranças. Porém ouço uma voz feminina, mas nenhuma mulher faz serviço de vigilância por aqui, então quem será? A mulher parece murmurar algo que não compreendo daqui de cima, mas parece aflita com algo.
Minha vista vacila, procurando observar alguma coisa contra a minha vontade, mas coloco uma mão sob ela, para evitar que isso aconteça. Minha mão, entretanto, quer sair por debaixo dos meus olhos e liberar tal contemplação misteriosa que me aguça a curiosidade.

(Fonte: fotolog)


De repente, ouço alguém batendo a porta violentamente e não é a misteriosa moça, ou seja, ela não está sozinha lá embaixo. O que será que acontece? Porque eu não posso ver? Privaram-me da liberdade de enxergar o que quero e a sociedade só me permite ver aquilo que eles me colocam como imposição? Ridículo! Se ninguém até hoje teve a ousadia de quebrar os tabus, serei eu o primeiro a contrariar os princípios estipulados pelo ser humano!
De súbito, virei minha cabeça para baixo e a primeira coisa que pude observar foi o grande abismo repartido pelos escritórios dos andares inferiores. Ao mesmo tempo, fui atacado por violentas vertigens causadas pelo pânico que tenho por altura! Meu coração acelerou, minhas pernas se desequilibraram e eu senti meu corpo ser puxado em direção ao chão. Procurei algo para me segurar, mas não tinha nada por perto e meu estado de pânico não me permitiu que movesse um dedo naquele momento. Só então me lembrei das pessoas que estavam no andar abaixo do meu: eram três homens e uma mulher, vestidos com um uniforme vermelho com algumas faixas azuis. Não eram do corpo de bombeiros, nem da polícia, nem para-médicos. Eram as únicas opções que me vinham à cabeça naquele momento, não conseguia mais raciocinar. Pude perceber o desespero estampado na cara deles quando me viram lá em cima deitado no chão os encarando com os olhos esbugalhados. Eles corriam desnorteados de um lado para o outro gritando, mas era estranho, pois eu nada ouvia. Parecia que eles tinham perdido a voz, ou será que eu quem tinha perdido a audição?
Tentei gritar lá de cima para perguntar o que estava ocorrendo, mas, por incrível que pareça, eu não consegui, perdi minha voz. Tentei gritar com todas as minhas forças e não consegui. Tive vontade de chorar, mas não dava conta, meus olhos estavam secos e o desespero atacava somente a minha alma, nada mais.
Repentinamente ouvi um zumbido vindo ao longe. Na verdade, não era bem um zumbido, mas um som agudo e penetrante que foi aumentando gradualmente, como se estivesse se aproximando. Enquanto isso observei a mulher em prantos apontando para o norte, enquanto os homens me encaravam com um olhar atordoante, como se quisessem dizer que eu fui culpado por algo, mas o que seria?
Virei minha cabeça vagarosamente em direção ao norte, e vi alguns prédios ao longe se estilhaçando por completo, lá de onde vinha aquele barulho ensurdecedor. E a cada segundo que passava, o barulho se intensificava em múltiplos crescentes. Minhas mãos nos ouvidos eram inúteis agora, meus tímpanos já tinham estourado e minha cabeça parecia querer explodir de tão insuportável dor que eu sentia. O sangue escorria latente sobre minhas mãos e os prédios mais próximos começaram a estourar. O mundo parecia estar em colapso! E quase para desmaiar senti o chão que me sustentava começando a trincar. O barulho intolerável parecia querer destruir tudo com bastante furor, como um deus ensandecido castigando as suas criaturas. De repente, o teto desaba sobre mim e acabo sendo perfurado por milhares de estilhaços de vidro que caem infinitamente em meu corpo que é lançado como um farrapo infinitamente no abismo ao redor de inúmeros cortantes que me flagelam incessantemente, ao som de um furioso barulho, ou melhor, de um grito.



 

Contos Mijinianos #2 - Trem das Paisagens


Contos Mijinianos #3 - A Chuva


Contos mijinianos #4 - Pombos e anões


Contos Mijinianos #5 - Hotel Paranóia


Contos Mijinianos #6 - O barco

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Síndrome do cabelo penteado

Uma das rotinas mais comuns do nosso cotidiano é o simples fato de pentear os cabelos (pra quem os tem). Depois de uma noite de sono se revirando para lá e para cá, é normal você se levantar com os cabelos parecidos com um ninho de mafagafos ou como uma moita. Logo se faz necessário uma boa escovada para deixar no jeito as madeixas. Agora imagine se o simples ato de pentear o cabelo pudesse ser mortal. Parece uma ideia ridícula, não é mesmo? Entretanto é uma realidade bizarra e cruel para uma adolescente escocesa de 13 anos de idade, chamada Megan Stewart. Ate então ela pode ser considerada um caso único na medicina mundial do que os médicos chamam de Hair Brushing Syndrome, algo como “Síndrome do Cabelo Penteado”. Ou seja, se ela pentear seus ruivos cabelos pode simplesmente entrar em colapso!

(Fonte: newsleaks)


Megan foi informada pelos médicos de que sofre da tal doença e que pode morrer se pentear seus cabelos. Ela nasceu prematura, 12 semanas antes do previsto, tem problemas de visão, asma e deficiência pulmonar, mas nada disso a impede de ter uma vida normal. O que atrapalha mesmo é o fato de não poder escovar os cabelos. Megan só descobriu o problema quando tinha seis anos, quando teve uma parada respiratória enquanto sua mãe penteava seu cabelo antes de ir para a escola primária.
“Estava a pentear o cabelo da minha filha quando ela caiu e os seus lábios ficaram azuis. Pensei que ela estava a ter um ataque, o que nunca tinha acontecido! Ela simplesmente parou de respirar na minha frente. Chamei os paramédicos, ela foi para o hospital, ficou boa, mas os médicos não souberam explicar. Agora, ela fica até pálida quando precisa se pentear. Foi realmente assustador, porque nós não sabíamos o que estava a acontecer”, recordou a mãe em declarações ao jornal britânico “Daily Mail”.

Megan Stewart (Fonte: newstonight)


O problema de Megan, na verdade, não é um caso da medicina, mas da Física. “O cérebro dela não aguenta a energia estática que se forma quando penteamos os cabelos”, disse Sharon, mãe da menina.
O pai Ian explica melhor o que a menina tem:
Quando ela se penteia, cria tanta eletricidade estática que seu cérebro não aguenta. Ele praticamente ‘desliga’ e o coração para de bater e os pulmões não funcionam mais. Todas as vezes que ela se penteia, não sabemos como vai terminar”.
Os médicos do Hospital Infantil Yorkhill, em Glasgow, informaram aos pais da jovem que as crianças com este tipo de problema devem evitar qualquer tipo de eletricidade, porque pode gerar uma reação fatal. Segundo os médicos, a condição causa tonturas e pode levar a convulsões, provocando eventualmente a morte do paciente

(Fonte: visitbulgaria)


Megan teve que passar um ano de sua vida internada no Yorkhill Hospital até que fosse diagnosticada por físicos, e não por médicos. Para evitar a morte, Megan tem que pentear o cabelo com a cabeça para baixo, ao lado da cama, e o ambiente tem que estar bastante úmido para evitar que produza eletricidade estática.
Agora ela dá palestras para levantar fundos para o hospital que a tratou.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

The Buzzer – A rádio fantasma

Em meados de 1982 foram captados pela primeira vez sinais de uma misteriosa estação de rádio que não transmitia música, nem nada relativo a uma programação normal de rádio. Ela enviava apenas alguns sinais de ondas curtas, que só podiam ser captados por rádios que recebem esse tipo de sinal.

(Fonte: fogacajunior)


Este mesmo sinal de onda curta geralmente é transmitido na freqüência de 4.625kHz (AM suprimida abaixo de uma faixa lateral de uma banda de freqüências) e é chamado de UVB-76 (Também, por vezes, é referido como UZB-76, ou MDZhB). Esta rádio recebeu o apelido de The Buzzer (“a cigarra”, em tradução livre) pelos ouvintes pois transmitia  um som vibrante que durava de 8 décimos de segundo até 3 segundos, repetia-se entre 21 e 34 vezes por minuto, durante todas as horas do dia. Até novembro de 2010, os tons de burburinho duraram aproximadamente 0,8 segundos, cada. No último minuto o barulho pausado se tornava contínuo, ficando no ar até que o relógio marcasse uma nova hora. Para completar todos os dias, das sete horas da manhã até as dez para oito, a transmissão ficava mais fraca, o que normalmente costuma acontecer com rádios normais, durante a madrugada, para diminuir o consumo e para possíveis manutenções. Os sons emitidos pela Buzzer mudaram ao longo dos anos, porém não existe nenhum sentido nesses barulhos, do mesmo modo dos outros.

Espectro do UVB-76 (Fonte: en.wikipedia)

Foto de satélite do transmissor da UVB-76 em Povarovo, Rússia (Fonte:pt.wikipedia)


Em raras ocasiões, o sinal de alarme é interrompido e vozes surgem ao fundo, como se a transmissão fosse feita através de um microfone aberto, que capta acidentalmente (ou não) pessoas falando por perto. Desde a descoberta da rádio, poucas vezes foram captadas vozes falando, mas elas eram sempre abafadas. Em uma transmissão recebida no dia 03 de novembro de 2001 pôde-se ouvir isso: “Eu sou o 143. Eu não recebi o oscilador. Esse material vem da sala de hardware”. Apesar de muita especulação, o verdadeiro objetivo desta estação permanece desconhecido para o público.

Estação encontrada em Povarovo (Fonte: caixadepandora)


Freqüentemente, as conversas distantes e outros ruídos de fundo podem ser ouvidos por trás da campainha, sugerindo que os tons de zumbido venham de um dispositivo colocado atrás de um microfone ao vivo e constantemente aberto (em vez de uma gravação ou sons automatizados sendo alimentados através de equipamentos de reprodução) ou que um microfone possa ter sido ligado acidentalmente.
Mensagens de voz de UVB-76 eram muito raras até que uma onda súbita de atividade surgiu no segundo semestre de 2010. Elas normalmente são dadas em russo por uma voz ao vivo e repetida. Pelo menos sete das tais mensagens foram ouvidas em mais de vinte anos de observações não-contínuas. Alguns exemplos de mensagens incluem:
·                    Ya UVB-76, Ya UVB-76. 180 08 BROMAL 74 27 99 14. Boris, Roman, Olga, Mikhail, Anna, Larisa. 7 4 2 7 9 9 1 4."
·                     Em 1335 UTC de 23 de agosto de 2010: "UVB-76, UVB-76 93 882 74 14 35 NAIMINA 74." ( Gravação da transmissãos de 23 de agosto de 2010  )
Oficial investigando a estação encontrada em Povarovo (Fonte: caixadepandora)


Outras coisas que foram ouvidas incluem músicas e discussões, sugerindo que as transmissões de UVB-76 eram feitas em frente a um microfone aberto.
Além da UVB-76 existem outras duas rádios semelhantes, chamadas de E11 e E25. As três são investigadas há muito tempo, porém ninguém jamais conseguiu localizá-las ou mesmo entender o que elas pretendem com essas transmissões, até mesmo o governo russo declarou que não sabe nada sobre elas.

Muitas teorias dizem que elas podem ser remanescentes da guerra fria e servem para monitorar acontecimentos em diversas partes do planeta. Essa teoria foi baseada após algumas coordenadas serem ouvidas no meio dessas transmissões e apontarem diversos lugares do mundo, sendo um deles uma base em Povarovo (Rússia), localizado nas seguintes coordenadas: 56°5′0″N 37°6′37″E  /  56.083333°N 37.11028°E  / 56.083333; 37.11028 . A região se encontrava a meio caminho de Zelenograd e Solnechnogorsk e 40 km (25 milhas) a noroeste de Moscou, perto da aldeia de Lozhki. Sabendo disso o governo russo mandou pessoas para investigar o local e o resultado foi frustrante, pois o lugar parecia estar abandonado há anos, porém existiam algumas partes trancadas de tal maneira que não puderam ser acessadas. Por esse motivo os segredos que essas salas guardam ainda são um mistério.
(Fonte: caixadepandora)



(Fonte: caixadepandora)



(Fonte: caixadepandora)


(Fonte: caixadepandora)



(Fonte: caixadepandora)



(Fonte: caixadepandora)


(Fonte: caixadepandora)
O objetivo da UVB-76, portanto, ainda não foi confirmado por funcionários do governo e nem oficiais de transmissão. No entanto, o ex-ministro das Comunicações e Informáticas da República da Lituânia escreveu que o propósito das mensagens de voz seria o de confirmar que os operadores de estações de recepção estão em alerta.

(Fonte: caixadepandora)


(Fonte: caixadepandora)

(Fonte: caixadepandora)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Trabalho escravo na Zara

A espanhola Zara, maior varejista de vestuário do mundo está atualmente no topo das discussões do Twitter e também virou destaque no Facebook, por conta de recente operação do Ministério do Trabalho, que encontrou trabalho escravo na cadeia produtiva da marca. Oficinas subcontratadas mantinham 16 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condição análoga à escravidão em plena capital paulista. O programa “A Liga”, da TV Bandeirantes que foi ao ar ontem e a ONG “Repórter Brasil” acompanharam equipes de fiscalização trabalhista que  flagraram funcionários estrangeiros submetidos a condições humilhantes ao  produzir peças de roupa da badalada marca internacional Zara, que pertence ao grupo espanhol Inditex.

(Fonte: noticiasachaqui)


A auditora fiscal do  Ministério do Trabalho e Emprego, Juliana Cassiano, que coordenou as ações de busca, confirmou a ligação das oficinas onde foram encontradas as pessoas em regime análogo à escravidão com a Zara. A investigação começou há três meses, após a primeira busca ter constatado irregularidades numa oficina em Campinas. Depois disso, o MTE lavrou 52 autos de infração contra a empresa devido a irregularidades nesta e em outra oficina, na capital, mas ainda não tinha comunicado oficialmente ao grupo. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas da tribo Quechuá e Aimará, que recebiam um tratamento pior do que outros trabalhadores.

(Fonte: textileindustry)


Em nota, a Zara assume o que aconteceu, comunica que "Tal fato representa uma grave infração de acordo com o Código de Conduta para Fabricantes e Oficinas Externas da Inditex, assumido por este fabricante contratualmente", diz que vai cobrar do fornecedor responsável que regularize a situação imediatamente, e mais: se apresenta como parceira do MTE para reforçar a fiscalização do sistema de produção tanto deste quanto dos outros 50 fornecedores fixos, que somam mais de sete mil trabalhadores.

(Fonte: noticias.achaqui)


O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela ONG Repórter Brasil, incluía contratações ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Segundo a ONG, para sair das oficinas, que também eram moradia, os trabalhadores precisavam até pedir autorização. O programa "A Liga" mostrou que os trabalhadores recebem centavos para fazer uma peça e, se causarem algum dano, são obrigados a pagar pelo preço que é vendida em loja. 

(Fonte: hellostranger)


De acordo com o diretor da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, a instituição acompanhou todo o processo de investigação do Ministério do Trabalho, que fará relatório específico sobre a Zara:
Haviam várias irregularidades nas oficinas, que vão desde o cerceamento da liberdade até às instalações encontradas pelas fiscalizações do ministério.
As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Pessoas que deixam os seus países em busca do "sonho brasileiro". Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil.

(Fonte: roteirodamoda)


O caso lembra o da GAP, outra empresa do setor têxtil que, em 2007, também foi para as páginas de notícias dos jornais por ter sido encontrado trabalho escravo em sua cadeia produtiva. Na ocasião, a  dona da empresa deu entrevista dizendo-se, como diz agora a Zara, indignada pela descoberta...
(Fonte: O globo)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Dália Negra – Parte III – Rumores, Suspeitos e Teorias sobre o assassinato de Short

Segundo a imprensa, logo após o assassinato, Elizabeth Short recebeu o apelido de "Dália Negra" em uma drogaria de Long Beach, Califórnia, em meados de 1946, como um jogo de palavras sobre um filme em cartaz na época, o The Blue Dahlia . Investigadores do Los Angeles County afirmaram que o apelido foi inventado por repórteres de jornais que cobriram o assassinato. O repórter Bevo Means, do Los Angeles Herald-Express, que entrevistou conhecidos de Short na drogaria, é creditado como o primeiro a utilizar o termo “Dália Negra”.


(Fonte: mintees)

Um número de pessoas, algumas das quais sequer conheciam Short pessoalmente, procuraram a polícia e os jornais para afirmar que a teriam visto durante o período em que ela esteve desaparecida e o período em que seu corpo foi encontrado sem vida (Entre 09 e 15 de janeiro daquele ano). Investigadores de polícia e advogados do distrito de Los angeles descartaram cada um destes avistamentos, onde em alguns casos, os entrevistados foram identificar outras mulheres que tinham sido confundidas com Short.


(Fonte: documentingreality)

Muitos livros de criminologia afirmam que Short viveu e/ou visitou Los Angeles várias vezes em meados de 1940. Estas afirmações nunca foram provadas e são refutadas pelos achados de policiais que investigaram o caso. Um documento nos arquivos do distrito de Los Angeles County, intitulado "Movimentos de Elizabeth Short Prior de 1º de junho de 1946" afirma que Short estava na Flórida e em Massachusetts de setembro de 1943 até os primeiros meses de 1946 e dá um relato detalhado de sua vida e dos trabalhos arranjados durante este período. Alguns autores de livros que exploraram o caso da Dália Negra especularam que ela exercesse a atividade de garota de programa, entretanto, um advogado conseguiu provar perante o grande júri do distrito de Los Angeles que não havia evidências suficientes para afirmar que Short era prostituta e a promotoria justificou que o que houve na verdade foi uma confusão com uma prostituta que tinha o mesmo nome de Short. Outro rumor amplamente divulgado pela mídia afirma que Short não era capaz de ter relações sexuais por causa de um defeito congênito que a deixou com "genitália infantil". Nos arquivos do Los Angeles County District Attorney constam que investigadores questionaram três homens com quem Short teve relações sexuais, incluindo um policial de Chicago que foi um dos suspeitos no caso Os arquivos do FBI também continham uma declaração de um dos alegados amantes de Short. Foi encontrado também informações relevantes sobre o corpo de Short nos arquivos de um advogado do distrito de Los Angeles e no Los Angeles Police Department. A autópsia de Short descreve seus órgãos reprodutivos como anatomicamente normais, embora o relatório observasse a evidência do que foi chamado de "problema feminino". A autópsia também afirma que Elizabeth Short não estava grávida e nunca tinha engravidado antes, ao contrário do que tinha sido afirmado antes e logo após a sua morte.


(Fonte: issoebizarro)

(Fonte: issoebizarro)

(Fonte: issoebizarro)


Suspeitos

Marion Parker (Fonte: oddpedia)

 

Na época, a investigação do assassinato da Dália Negra foi a maior do Departamento de Polícia de Los Angeles desde o assassinato de Marion Parker (filha de Perry Parker, um eminente banqueiro de Los Angeles) em 1927. Por causa da grande proporção que a investigação tomou, o caso também contou com a ajuda de centenas de funcionários emprestados de outras agências policiais. Devido à complexidade do caso, os investigadores originais trataram cada pessoa que conhecia Short como suspeita, eliminando da lista uma por uma à medida que as investigações avançavam. Cerca de 200 pessoas foram consideradas suspeitas e milhares delas foram entrevistadas pela polícia. Devido à natureza do crime, a cobertura da imprensa sensacionalista era, muitas vezes, imprecisa e concentrou a atenção da opinião pública sobre o caso. A maioria das cerca de 50 pessoas que confessaram o assassinato eram homens.


Fonte: (issoebizarro)


Alguns autores que escreveram sobre esse crime têm especulado sobre uma ligação entre o assassinato de Elizabeth Short e o Cleveland Torso Murderer (um assassino em série dos Estados Unidos, ativo em Cleveland entre 1934 e 1938). Tal como aconteceu com um grande número de assassinatos que ocorreram antes e depois do assassinato de Elizabeth Short, os investigadores originais do Departamento de Polícia de Los Angeles inicialmente tentaram associar o caso da Dália Negra com a série de assassinatos que ocorreram em Cleveland em 1947 e, posteriormente, descartaram qualquer relação entre os dois casos. No entanto, novas evidências implicaram na investigação de um suspeito no caso das mortes de Cleveland, chamado Jack Anderson Wilson.


(Fonte: issoebizarro)

Com a morte de Short, Wilson passou a ser investigado pelo detetive St. John, em 1980. St. John alegou que ele estava perto de prender Wilson pela morte de Short quando, inesperadamente, o suspeito morreu em um incêndio em 04 de fevereiro de 1982.


Jack Anderson Wilson, um dos suspeitos da morte da Dália Negra (Fonte: trutv)


Teorias e possíveis assassinatos relacionados


Autores de livros sobre o assunto, como Steve Hodel e William Rasmussen, têm sugerido uma ligação entre o assassinato de Elizabeth Short e um outro assassinato ocorrido em 1946, que culminou com o desmembramento de Suzanne Degnan, de seis anos de idade, em Chicago, e ficou conhecido como crime do ‘assassino do Batom’ (recebeu esse nome devido ao fato do assassino deixar mensagens escritas a batom no local do crime). O Capitão Donahoe da polícia de Los Angeles também declarou publicamente que ele acreditava que a Dália Negra e os ‘assassinatos do Batom’ provavelmente estavam ligados. Entre as provas citadas estava o fato de que o corpo de Elizabeth Short foi encontrado em Norton Avenue, três quarteirões a oeste de Degnan Boulevard, o fato de que o termo ‘Degnan’ também era o último nome da garota de Chicago e o fato de que havia semelhanças entre a escrita da nota de resgate de Degnan e as cartas que o ‘vingador da Dália Negra’ havia mandado à impressa após a morte de Short. Por exemplo, ambas usavam uma combinação de letras maiúsculas e minúsculas, como num fragmento da nota de Degnan onde dizia: "BuRN This FoR heR SAfTY"; ambas as notas continham uma carta semelhante e tinham uma ou outra palavra que coincidiam exatamente.


Suzanne Degnan (Fonte: proxywhore)

Mensagem do assassino do batom (Fonte: 207.56.179.67)

Mensagem do "Vingador da Dália Negra" (Fonte: blackdahliasolution)

Atualmente, condenado serial killer William Heirens está cumprindo pena pelo assassinato de Degnan. Inicialmente foi preso, aos 17 anos, por invadir uma residência próxima a de Suzanne Degnan. Heirens alega que foi torturado pela polícia, forçado a confessar, e fez um bode expiatório no assassinato de Degnan.

(Fonte: issoebizarro)


A Dália Negra – Parte I – O passado de Elizabeth Short


A Dália Negra – Parte II – A autópsia e o papel da mídia na investigação do caso

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